Uma torre no topo duma colina


Uma torre no topo duma colina
Foi construída sobre segredos, intenções ocultas. Uma modesta agulha de pedra esticando-se ao céu, acima de outros, acima de um povoado inteiro, seus vizinhos diretos.
o vilarejo, tarde da noite como é agora, às pessoas estaria dormindo, perdidas em sonhos, foste este um dia normal.
Na noite anterior, na hora da sopa, como se tomados por espíritos santos e infantis, todos no povoado caíram na risada. Gargalhadas nervosas que pareciam eternas. Madrugada a dentro, no primeiro quarto da Lua, a maioria estava caída no chão aos prantos, pensamentos terríveis de medo e fragilidade arrebatavam a mente das vítimas. O raiar do dia não trouxe melhora. Levantaram-se aos poucos, como se tímidos. e começaram a brigar um com outro. Um surto de fúria, uma verdadeira carnificina teve lugar ali e poucos restaram para ver o avanço da noite que se seguiu.
O frio da madrugada trouxe aos poucos mais de 200 vivos clareza. Nenhuma possessão ou veneno inebriante agiu sob suas mentes e seus corpos e isso os alegrou apesar do medo.
Alguém, em algum momento oportuno, foi rápido e decisivo. Apontou para a colina e disse `` O Mago! O mago e suas maldições``.
 Tivessem tido dias normais e tranquilos, estariam dormindo. Mas não tiveram, então os que ainda viviam marcharam, tochas e lâminas nas mãos, rumo a torre na colina.
Lá dentro, um homem velho da pele escura e flácida, anda de um lado para o outro em um pequeno cômodo repleto de lunetas e telescópios de latão. O mago assistiu aos desdobramentos la de seu observatório. Do topo da torre, o Arcanista acompanhou atentamente os efeitos de seus experimentos
 Feitiços ilusórios aperfeiçoados por ele foram lançados em direção ao vilarejo. O mago estudava, principalmente, a trajetória de impacto e a expansão progressiva dos efeitos. Os resultados foram positivos e até surpreendentes. Não imaginou tamanha efetividade, nenhuma energia se dissipou, Houve um aproveitamento total.
``Um campo puro``, pensou,`` bem aqui no meio do nada!``
Agora, o vilarejo, o que sobrou dele, batia a porta da torre do mago

THUM,...THUM...THUM..THUM
  • MAGO, RENDA-SE ! TU MEXEU COM NOSSAS CABEÇA, TEM DE PAGAR
O mago passou correndo pelos cômodos e corredores em direção ao balcão acima da entrada. A torre úmida e fria, silenciosa e ameaçadora com o gotejar eterno, Às partes térreas estavam, em sua maioria, alagadas, com água até os calcanhares, Às vestes do mago, furadas mas ainda brilhando num azul opaco, serpenteavam pela água. Estava assustado, a situação era crítica, tinha que admitir, mas não conseguia conter a animação perante a descoberta. ``Um campo puro!!``
Voltam a bater nas portas, agora com mais força
THUM THUM THUM
-SEU IMUNDO DESGRAÇADO, VAMO DERRUBAR ESSA PORTA
 Os aldeões, então, forçaram e derrubaram a porta de madeira. Ela já não estava nas melhores condições e suas correntes haviam enferrujado. Entraram pela torre, molhando os pés, gritando pelo bruxo. Este chegou a entrada e os viu, ali embaixo. Uma multidão inteira que o caçava.
- ALTO LÁ! ALTO LÁ SEUS BÁRBAROS, EU SOU O MÉDICO DA VILA, EU SALVEI VOCÊS CERTA VEZ!
Precipitando-se escada acima, um aldeão pula em direção ao velho bruxo e o agarra pelo pescoço. Uma mão grande e ossuda se fechando na garganta. O aldeão está coberto de sangue e ergue o mago pêlo pescoço.
  • VOCÊ MEXEU COM MINHA CABEÇA, berrou, EU MATEI MEU IRMÃO A PEDRADAS E MORDI SEU CADÁVER, TOMADO PELA FÚRIA. VOCÊ MORRE HOJE
O mago, engasgado, só consegue clamar - DUMERIO, NÃO
O brilho de uma lâmina é gatilho para uma reação.
Queria apenas afastá-lo, queimá-lo um pouco e assustar a todos com uma bola de fogo explodindo na parede. Foram seus amigos pouco tempo atrás. Fora bem recebido, gentilmente até, quando chegou a esta cidade como um curandeiro andarilho. Até quando decidiu construir a torre, quando muitos expressaram preocupado, havia resolvido tudo pelo diálogo.
Mas estavam ali, por azar ou sorte, num campo puro, de zero perda da energia mágica. Aproveitamento total, com altíssima efetividade. A bola de fogo, num instante fugaz, criou-se na palma da mão do velho. Aquela esfera brilhante expandiu-se rapidamente, consumindo Dumerio de supetão, sua mão ainda agarrada ao punhal.
Em poucos segundos, o feitiço sairá de controle e ficou enorme. Ao atingir massa crítica, rompeu-se em um oceano de energia, uma tempestade de chamas que consumiu carne e destruiu pedra, marcando aquela torre no topo da colina com a marca das chamas e da morte.

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