Jardineiros da corrupção
Foram dias e dias de batalha intensa.
Muitos mortos do nosso lado mas também do inimigo. O pântano, antes deserto e dominado pela vida selvagem, se converteu em um cemitério a céu aberto. Corpos mutilados, seres humanos que levaram para o outro mundo suas expressões de absoluto terror ao lado de criaturas abomináveis, seres que se assemelham a morcegos gigantes, com dezenas de olhos na face.
Dias e dias de batalha, muitos mortos, centenas de humanos. As criaturas não nós damos o trabalho de contar, sempre haveria mais. Uma nova horda de tempos em tempos, nos levando ao limite, dia após dia.
Essa era a única certeza nessa floresta: O ataque viria.
E assim vivemos por 3 ou 4 meses, amontoando nossos mortos e lutando para não ceder um centímetro sequer para essas abominações.
Foi, então, com muito terror e paranoia que recebemos, no alvorecer de certo dia, uma calmaria, um cessar fogo.
O vigia, do alto de seu mastro, pronto para soar o sinal de batalha não tivera motivo para fazê-lo. Ao longe, saindo do pântano lamacento, através do corredor de árvores, não vinha ninguém. Nenhum servo da Morte em Vida se apresentara.
Passou a manhã, veio a tarde e enfim anoiteceu em nosso acampamento. Às margens da Corruptora , os homens, pela primeira vez em meses, dançaram e festejaram.Tinham vencido, o inferno finalmente esvaziou e nem mais uma criatura rastejava em nossa direção.
Tínhamos vencido.
O capitão declarou que se fizesse um banquete em honra aos mortos e aos vivos, fogueiras foram acesas e nossas sombras,grandes como gigantes, projetadas na muralha em volta da Corruptora marcava cada um ali com um sinal de esperança.
No entanto, em uma dessas várias fogueiras que preenchiam com luz,calor e fumaça nosso acampamento, o clima era outro. Diante a tenda de nosso clérigo, Logius, o fogo queimava sozinho e o vinho ainda não secara na garrafa. A carne, essa sim, havia sido aproveitada mas o semblante do sacerdote não era como o da maioria. Estava sentado ao pé da tenda, encarando o fogo, seu aprendiz era o único por ali, observava seu mestre com um misto de apreensão e ressentimento. Queria estar festejando, tinha meses que sofria naquela planície desgracenta, merecia um pouco de diversão.
Muitos mortos do nosso lado mas também do inimigo. O pântano, antes deserto e dominado pela vida selvagem, se converteu em um cemitério a céu aberto. Corpos mutilados, seres humanos que levaram para o outro mundo suas expressões de absoluto terror ao lado de criaturas abomináveis, seres que se assemelham a morcegos gigantes, com dezenas de olhos na face.
Dias e dias de batalha, muitos mortos, centenas de humanos. As criaturas não nós damos o trabalho de contar, sempre haveria mais. Uma nova horda de tempos em tempos, nos levando ao limite, dia após dia.
Essa era a única certeza nessa floresta: O ataque viria.
E assim vivemos por 3 ou 4 meses, amontoando nossos mortos e lutando para não ceder um centímetro sequer para essas abominações.
Foi, então, com muito terror e paranoia que recebemos, no alvorecer de certo dia, uma calmaria, um cessar fogo.
O vigia, do alto de seu mastro, pronto para soar o sinal de batalha não tivera motivo para fazê-lo. Ao longe, saindo do pântano lamacento, através do corredor de árvores, não vinha ninguém. Nenhum servo da Morte em Vida se apresentara.
Passou a manhã, veio a tarde e enfim anoiteceu em nosso acampamento. Às margens da Corruptora , os homens, pela primeira vez em meses, dançaram e festejaram.Tinham vencido, o inferno finalmente esvaziou e nem mais uma criatura rastejava em nossa direção.
Tínhamos vencido.
O capitão declarou que se fizesse um banquete em honra aos mortos e aos vivos, fogueiras foram acesas e nossas sombras,grandes como gigantes, projetadas na muralha em volta da Corruptora marcava cada um ali com um sinal de esperança.
No entanto, em uma dessas várias fogueiras que preenchiam com luz,calor e fumaça nosso acampamento, o clima era outro. Diante a tenda de nosso clérigo, Logius, o fogo queimava sozinho e o vinho ainda não secara na garrafa. A carne, essa sim, havia sido aproveitada mas o semblante do sacerdote não era como o da maioria. Estava sentado ao pé da tenda, encarando o fogo, seu aprendiz era o único por ali, observava seu mestre com um misto de apreensão e ressentimento. Queria estar festejando, tinha meses que sofria naquela planície desgracenta, merecia um pouco de diversão.
---Peregrino, Torre, Imperatriz e o Hierofante…
---Mestre?
---Meu aprendiz, deve estar puto comigo, não?! Se perguntando, duvidando..
---Mestre! Não!, C-claro que não, mestre! Voc- Você sabe o que e melhor
---Oh mas eu estou duvidando. Sim, duvidando. É o que estou fazendo aqui. To duvidando do mundo, sabe porque?! Li as cartas, falei com nosso Deus e sabe o que me disse?
“Então era isso”, o jovem percebeu, “ meu mestre está com medo” e agora, notou, ele também estava
-Me disse, continuou o clérigo, para subir a árvore amanhã, no entardecer, e realizar o Rito. É chegada a hora, Beuberito, e de certo as hordas não descansarão. Agora vá, me deixe. Preciso me preparar.
Beuberito correu para se afastar. Foi para o meio do soldados, tomou do vinho, dançou e fez tudo que podia para se esquecer do terrível aviso de seu mestre.
O dia seguinte começou moroso.
Aos poucos, soldados e batedores foram espalhando-se pelo campo além de seu acampamento para recolher informações. Buscavam qualquer coisa: pegadas, marcas de carroça, sinais de fogueira. Algum indício de que o inimigo ainda estava em ação mas nada encontraram.
Seria o último dia, decidiu-se o capitão, de vigília e amanhã poderiam levantar acampamento, moveriam-se para outra zona de guerra. Em seu discurso matinal, o capitão das forças parabenizou a todos pelo trabalho duro e ordenou que não dessem ouvidos aos boatos que já corriam pelo acampamento, o inimigo havia sido derrotado ali
“ E porque não nós movemos hoje?”, alguém ousou perguntar, “Porque não vamos a Sharia ou a Reverando, dizem que a luta não vai nada bem lá.”
O rosto do capitão torceu-se em desgosto e as palavras foram cuspidas, como se não quisesse que deixassem sua boca: - Ficamos a pedido de Logius, nosso clérigo de batalha precisa de mais um dia. Hoje irei destacar alguns de vocês para servirem de escolta e guarda enquanto ele sobe a Corruptora e lida com o fruto. Sobre Shania e Reverando….
O informe foi dado, aquelas regiões estavam sofrendo nas mãos dos demônios e novas Corruptoras foram plantadas. O inimigo ousava cada vez mais e seus braços nodosos chegam cada vez mais perto de nossa capital. Aquilo, para a maioria dos soldados, já era sabido e fez pouco impacto na moral se comparado ao estrago dos rumores que correram como fogo na palha seca após a festa da noite anterior. Diziam que aquilo era uma distração, que o inimigo preparava uma horda maior e mais terrível ainda; outros afirmavam que viram um monstro alado sobrevoando a Corruptora, observando-nós; outros também assentiram categoricamente quando perguntados se tinham realmente visto alguém emergir das sombras para desaparecer na escuridão logo em seguida.
Boatos, disse o capitão, nada mais.
O dia marchou e o Sol já descia no horizonte, pintando o céu de laranja e roxo. Nuvens carregadas podiam ser vistas vindo do lado leste, direção da Capital, mas provavelmente choveria antes de alcançá-los. Estavam nas pradarias centrais do País, próximos ao miolo desconectado do resto do mundo mas estrategicamente importante para a guerra. Logius não presenciou entardecer tão belo, naquele momento subia pelos corredores da Corruptora, ele e mais um punhado de soldados, em direção ao Fruto.
Cumpria seu dever, a razão pela qual nasceu, morreu e nascera de novo. Era hora de realizar o Rito da Purificação, o primeiro teste do feitiço que mudaria para sempre os rumos daquela batalha. Era um peão, sabia, um pequeno peão na guerra cósmica entre seu Deus e as forças do Caos mas, se conseguisse atingir seu objetivo, seria o peão mais importante de todos os tempos.
Foi no meio de seu trajeto para a copa da árvore, no exato momento em que o Sol deixou de brilhar sob a terra, que ouviu a trombeta. O sinal tão temido: Inimigos à vista. Logo em seguida, sentiu. A presença opressora, tal como um demônio rastejante, foi crescendo e crescendo, fez brotar suor em sua testa e reforçou sua convicção. Gritou em direção aos soldados e saiu em disparada
---Chegaram….ELES CHEGARAM! Rápido, para o topo!!
Lá fora, pânico.
O primeiro sinal, antes mesmo da trombeta, chegou na forma de cadáveres reanimados. Dois soldados, visivelmente feridos, saíram do túnel e andaram inconscientemente em direção ao fosso de lanças. Sem entender, nosso vigia suspeito de bebedeira ou loucura e não soou o sinal mas quando, em seguida, viu um enorme Ente correr em direção ao portão e derrubá-lo com um chute, já era tarde demais.
O estrondo do chute da enorme árvore senciente, que aparentemente havia sido carbonizada, soou antes do outro vigia soprar seu aviso e, ao tempo que a maioria dos soldados ali percebeu o que estava acontecendo, o portão já estava derrubado e cinco figuras pulavam do Ent, prontas para chover morte sobre eles.
Eram cinco, todos vestidos em couro escuro e emanando aquele cheiro, um perfume característico que já era presente, vindo da árvore Corruptora, mas que foi ficando mais forte a cada segundo.
Muitos morreram antes que alguma forma de defesa fosse organizada, os cavaleiros de Ser Re Qan retalharam a primeira leva que reagiu e logo avançaram acampamento a dentro, em direção a árvore sitiada. Dois deles, um casal, pareciam cintilar em meio a desordem instalada, banhando-se no sangue dos homens e mulheres que morriam em prantos. Estes, em seguida, eram trazidos de volta para viver uma semi vida como escravo do Necromante e lutarem como inimigos de seus antigos companheiros . Na frente daquele esquadrão de terror, ia uma criatura. Metade humana, metade crustáceo, aquela abominação, tão grande quanto dois ou três dos nossos, avançou sem pestanejar, trucidando e destruindo construções mas dos cinco, o mais temível era a sombra, matando silenciosa e inesperadamente, cortando por nossas defesas, indo em direção a Corruptora.
Em questão de minutos, nosso acampamento havia sido destruído por completo, só restando a muralha de sito em torno da árvore da Corrupção e está logo cairia. O Ente, que era nosso aliado antes de cair nas mãos dos nefastos, serviria novamente de ariete para abrir passagem. Vimos, do topo da árvore, quando o necromante a incendiou e sentimos o tremor quando está se chocou contra a muralha.
Logius, na copa da árvore tão próximo do fruto quanto possível, fez bravatas, desafiou aqueles demônios. Intensa luz surgiu quando desembainhou sua espada Ordem e, por algum tempo, o ânimo das tropas foi redobrado.
Durou pouco.
Os cinco entraram na árvore e foram dizimando um a um em seu caminho. Infelizmente, não eramos páreos e não conseguimos ganhar tempo para o ritual. Logius, acuado, entrou no combate e este duelo será cantado e louvado enquanto houver homens e mulheres da Ordem na terra. Sozinho contra aqueles que abandonaram sua humanidade em troca de poder, Logius lutou e fez valer sua formação de clérigo de batalha, matou um dos algozes, perfurou-o tão fundo com sua arma abençoada que pode sentir o cheiro da carne podre assando ao toque do metal mas, enfim, foi vítima da lâmina amaldiçoada da Assassina.
Fomos derrotados.
Nosso sitio a árvore Corruptora fracassou, nosso experimento arcano, a tentativa de realizar, pela primeira vez, um ritual de purificação da terra, fracassou e o Fruto, a forma pela qual a doença maligna de Ser Re Qan espalhava-se pêlo mundo, fora levado.
Que Orobin nos perdoe.
Fracassamos e o mundo tornou-se ainda mais terrível e perigoso.
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